15:30

O Ontem e o depois.

Esta é uma cereja de Anavlis |

Bem, se somos um blog feminino, automaticamente teríamos que abrir espaço para que 'todas azamiga' participassem dele. Inauguramos essa categoria, então, como um espaço onde você poderá contar um causo que passou ou que ainda está passando sem necessariamente ter a nossa opinião, como acontece no Chora, Amiga, e até mesmo para se sentir ouvida e aliviar um pouco a sua cabecinha (o bombas de cereja também é utilidade pública, tá vendo?).
 Para inaugurar a categoria, trazemos a história de Yvete, uma amiga que está em uma situação digamos que não tão boa e pacífica sentimentalmente. E vocês podem ajudá-la, se quiserem, através de conselhos que podem ser dados nos comentários.. 
PS: Eu disse ajudá-la, e não fazer a coitada desejar fritar como um carneiro de Alá..

Degustem e sensibilizem-se, ou não..

São 07:14h da manhã e eu só queria um cigarro. Não, dessa vez eu não queria nenhum outro tipo de entorpecente, como seria de costume, só um cigarro Lucky Strike do azul.
Eu pretendia começar nessa coluna com um outro texto, já quase terminado, mas na manhã de hoje, com a chuva que está caindo do lado de fora do meu quarto e com tudo o que me aconteceu nas ultimas 24h, eu preciso escrever um outro texto, talvez um pouco diferente da proposta da coluna.
Vamos do começo:
Sempre fui a criança estranha da escola. Gordinha que andava com os meninos. Mais tarde, me assumi bi. Era engraçado, porque eu nunca servia como namorada, nunca fui o perfeito troféu, coisa que todo mundo queria exibir na escola, mas servia pra tentarem me comer. Eu falava demais, era extrovertida de mais, não era princesinha. Não tenho vergonha de dizer que nunca tinha transado com um homem e me “preservava” com um orgulho feroz por causa das lembranças antigas, além de que nos últimos quase dois anos, eu estava num relacionamento – turbulento, de fato – com uma mulher.
Não desejo entrar em muitos detalhes sobre isso, mas minha namorada acabou comigo de forma súbita tem quase um mês, quando estava tudo bem entre a gente. Até hoje não sei qual o motivo. O que eu sei é que essa não era a primeira vez que nós acabávamos. Mas dessa vez eu decidi não correr atrás, não ir. Disse que se ela quisesse, depois viesse conversar direito comigo, se fosse o caso, podíamos até voltar. Mas eu não iria outra vez atrás. Não mais.
Então, já dizia aquele ditado: só se esquece um amor com outro. Tentei fazer isso. Lembrei de Rô, um amigo da Dylan, uma grande amiga. Já havia ficado com ele anos antes e desapareci por causa da minha ex. Armei tudo mentalmente. Ficaria com ele, em poucas semanas estaríamos namorando.
Então tá. Dylan marcou, fomos os 3 ao cinema. Fiquei com ele. Esperei uma semana, ele não ligou nem nada. Fiquei com raiva, naturalmente, mas fui atrás, o que eu queria era mais importante que meu orgulho de não ir até ele.
Pra encurtar a conversa, Marcamos de sair novamente. Eu, Dylan, Olivia (amiga de Dylan que eu já conhecia) e o Rô. Marcamos num bar ás 19:30h. As meninas se atrasaram e já eram 20:30h e Rô nada de me ligar. Eu e minha mania psicótica de mulher: ele me deu um bolo. Claro que eu não preciso dizer pro mundo que fiquei de mal-humor. Não custava nada ter avisado que não ia. Terminou que Dylan ligou novamente e ele foi ao bar, e chegou umas 22h. Eu já estava meio bêbada depois de 4 doses de cachaça e uma de vodka. Não, Rô não me beijou quando chegou. Nem depois.
Resolvemos ir até o Recife Antigo depois do bar, lá sempre tem alguma coisa pra se fazer. Ficamos no Marco Zero. Olha, eu assumo: tentei tirar forças de todos os lugares que podia, mas eu ainda amo minha ex apesar de tudo e não é pouco. Definitivamente não. Um tanto bêbada, já nem sentia mais o gosto da cerveja (que eu odeio) liguei pra ela. Liguei, e pedi desculpas por estar ligando. Disse que não queria saber se ela estava com alguém, porque não me interessava (pelo barulho ela estava em alguma festa), mas que sabia que isso era muito provável. Disse que desejava que ela estivesse muito bem, muito feliz, quase não respirava e não a deixei falar. Só disse que a amava. E disse que não incomodaria mais e desliguei o telefone sem esperar resposta. Como esperado, ela não me ligou, não me mandou uma mensagem. Deve ter curtido a festa, eu espero.
Chorei enquanto olhava o mar no Marco Zero, era um dos meus lugares preferidos de adolescente. Chorei, solucei, quase gritei. Estava doendo, como ainda dói só de lembrar enquanto escrevo. Olhei e vi que Rô estava no colo de Dylan. Sofria por alguma coisa também.
Fingi que nada tinha acontecido, que ninguém tinha me visto chorar, fiz pose de forte e me sentei junto a eles. Rô foi comprar cerveja e Dylan disse que ele estava mal porque ainda amava a ex, assim como eu.
Ficamos conversando besteira os 4. Num momento, me enchi de coragem que não sei de onde surgiu e pedi que as meninas dessem uma volta, pois eu queria falar com ele. E eis a minha proposta: “Rô, eu sei que você ama a sua ex, e eu ainda amo a minha, você me viu chorando por ela. Bem, um amor só se esquece com outro. Minha proposta é ficarmos ficando. Quando der vontade, a gente se liga. Por fora, você fica com quem quiser, eu fico com quem quiser, sem compromissos, sem ciúmes, sem cobranças”. Ele meio que aceitou. As meninas acharam um amigo que estava fazendo uma festa em um dos casarões do Recife Antigo e foram para lá. Eu e Rô não quisemos ir e ficamos horas numa conversa leve e sincera sobre nossos orgulhos e amores. Sobre essa nossa possível relação aberta, sobre como ainda amávamos, nos demos conselhos. A chuva que antes era fininha começou a engrossar. E engrossou num nível insuportável, que fez com que precisássemos ir para algum lugar. Naquelas horas da madrugada, voltar pra casa era inviável.
Terminei a noite com ele num motel. A intenção primeira era dormir, ele ia trabalhar hoje cedo. Mas aconteceu. Transamos.
Sem mistérios e sem muita dor. Não estou apaixonada por ele. Nem espero que ele me ligue mais tarde, e disse a ele que não estava esperando. Disse que sabia que se ele me ligasse, ia ser daqui uma semana ou mais, pra gente transar de novo. No final disse que não esperava nada dele e nem espero.
Não foi o homem errado. Também não foi o homem certo. Foi o melhor que podia ter sido e não foi ruim, muito pelo contrário, foi ótimo, sincero. Nos divertimos, rimos. Nos dedicamos ali um ao outro, sabíamos que naquele momento, precisávamos daquilo. Não do sexo em si, mas da dedicação, do carinho que dedicamos um ao outro naquela cama de motel, que só passou a existir por causa da conversa tão aberta que tivemos antes.
Já era de manhã e fomos até a parada de ônibus de mãos dadas, passamos a viagem abraçados. Não sei se vou vê-lo de novo. Talvez. Mas não vou ligar. Ele sabe o meu número. Também deixei avisado a ele que não ligaria, mas que ele podia me procurar.
Ele se despediu de mim e desceu. A casa dele é antes da minha. Beijei-o rapidamente e disse que ele se cuidasse.
Eu ainda a amo. Ele ainda a ama. Nós criamos um laço estranho de definir. E nem quero criar definições para isso, a noite bastou por si só.
E na minha volta pra casa, no céu nublado, uma chuva fininha às 06h da manhã, melhor música não podia ter tocado aleatoriamente no celular pra me servir de trilha sonora. É que como me disse Rita Lee enquanto eu caminhava, “São coisas da vida”.

By: Ivete 

Beijos sabor cereja! , suas gracinhas!

2 Mordidas:

Índia disse...

poha, bitch!
ficou melhor escrito do que tu contando..

Tracy Cherry disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK...

FATO!

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