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Mulher GG: Gorda e Gostosa

Esta é uma cereja de Tracy Cherry |

Com excessos e sem crise

-Pra quê você tá cozinhando brigadeiro? Não tá vendo como você tá gorda? - Perguntou minha mãe enquanto eu mexia a panela.
-Não, tou ocupada demais sendo feliz, não tenho tempo pra observar essas coisas - Eu respondi.



Estética realmente não é um assunto com o qual eu ocupo o meu tempo. Estética corporal, sabe? A quantidade de celulite que torna a minha bunda uma laranja descascada, as estrias que sobem pelo meu peito, ou a quantidade de pneusinhos que minha barriga forma quanto eu sento. Já fui rata de academia. E de quadra também. Treinava handeball 3 a 4 horas diárias e ainda malhava 2 horas a noite. Tinha pique pra tudo e vivia disposta. Porém infeliz.
É engraçado ser a gordinha da turma e observar como sempre tem aquela amiga que te adora, mas acha que você bem que podia perder uns quilinhos pra aquele vestidinho justo na barriga não ficar tão marcado. Também tem sempre aquele amigo que, na tentativa de levantar sua moral, diz que você não é gordinha, e sim gostosa. Gente, qual o problema em ser gorda? Qual o problema em comer três pães com requeijão e um copo de 500 ml de refrigerante?

-Não é questão de estética ou de beleza, é de saúde.


AAAHHH, VÁ! Conheço pessoas que estão uns 20 kg acima do peso e são mais saudáveis do que muito rato de academia tomador de bomba. Aliás, 20 kg acima do peso de acordo com que padrões? E por quê o fato de ser grande incomoda tanta gente? Na boa, eu acho que é muita inveja. Por quê enquanto nós, gordinhas, estamos sentadas devorando uma pizza de bacon com catupiry acompanhada de uma Coca de 500 ml, as "magralindas" (é, porquê agora na internet a vibe é usar um como sinônimo do outro) estão na fila do Subway esperando pra comer um sanduíche sem graça, com gosto de mato, que desaba quando você desenrola do papel e é impossível comer sem se sujar. 


A imagem que as pessoas, a mídia e até essa abençoada internet, que devia ter espaço para todos os públicos e livre de preconceitos, criam de pessoas, sobretudo garotas, acima do peso chega a ser nojenta. E o pior: nos pintam como nojentas. Poucas vezes vejo blogs populares de "humor" se referir a gordinhas sem fazer chacota, sem humilhações ou sem a célebre "tinha que ser gordinha". 
Vamo parar também com essa história de "gordinha não, gostosa". Repita comigo: eu sou gorda mesmo, porra. Meu manequim é 44, ou 46, ou 52, ou muito mais; tenho muito com o que encher um sutiã e uma cama; como sem culpa e não tenho tempo pra ver o quanto estou gorda porquê estou ocupada demais sendo feliz com meu prato de brigadeiro. 
Até acho mulher magra elegante, não minto. Deve ser ótimo ter pernas compridas e ficar linda até de calça saruel. Ou usar uma camisa branca e não se sentir um bolo de noiva. E, o que deve ser o melhor de tudo, comer sem engordar. Mas não troco o meu excesso de carne pela cintura fina de ninguém pra seguir um padrão que me foi imposto por uma sociedade demente e cheia dos padrões de perfeição que nunca vai alcançar. Ser gorda, ter celulite, estria, pneusinho, seios fartos, coxas grossas e bochechas rosadas é ser mulher de verdade.

Marilyn Monroe usava 44.


Beth Ditto, vocalista da banda The Gossip, nunca teve vergonha do corpo.


Não disse?


Drew Barrymore (á esquerda), estava "acima do peso" quando filmou As Panteras.


Carla Manso, a minha Miss Plus Size predileta (2011), protagonizou um ensaio sensual pra provar que gordinhas podem sim posar nuas.


As lindas da campanha Dove pela real beleza.


E eu, que apesar da cara de mal da foto, sou muito feliz, obrigada.


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